segunda-feira, 29 de abril de 2013

Adoração Tântrica - uma terapia corporal


 
Eu acredito que a real e intensa experiência da vida humana acontece no corpo. Estamos constantemente criando e formando nossos corpos, mas infelizmente nem sempre a alegria, o amor e o prazer fazem parte dos ingredientes que usamos para nos criar e recriar continuamente. 
 
O extremo prazer físico é um dos objetivos do meu trabalho, entendo o prazer como sendo um instrumento terapêutico. Quando a energia orgástica toma conta de todo o corpo e o indivíduo se observa nessa experiência, é possível uma quebra de padrões limitantes. Padrões emocionais, mentais, físicos e (por que não?) espirituais. Esses padrões nos impedem de experimentar a existência plenamente. Energia vital, líquidos corporais e respiração esbarram nos bloqueios corporificados e não fluem com a perfeição que gostariamos e merecemos.
 


Medo, raiva, culpa e sentimento de fracasso e inadequação são agressões ao corpo. Essas marcas estão cristalizadas em camadas mais profundas ou mais superficiais. Qualquer terapia tem o objetivo de curar essas feridas que existem no plano emocional e mental, mas que irremediavelmente fazem corpo, ou seja, tomam forma no corpo. Por isso, prefiro terapias corporais.
 

O cerne do trabalho tântrico é o respeito e a reverência ao corpo. O corpo é divino, sagrado e perfeito. Na verdade, o corpo é um verdadeiro milagre! Formando-se num complexo processo contínuo desde a fecundação até a morte, cada célula tem uma consciência individual. Assim como nós, indivíduos humanos, somos células do planeta.
 
Adoração tântrica é uma terapia corporal para o desenvolvimento emocional, sensorial e sexual de mulheres e homens. O corpo é reverenciado por meio do toque tântrico, sutil, leve, lento e hábil. O toque acontece no corpo todo, principalmente nas genitais, com manobras específicas. O objetivo é despertar e movimentar a energia vital relacionada à sexualidade, Kundalini.
 
O desenvolvimento de ferramentas importantes para a sexualidade tântrica também são metas dessa terapia. Abertura do quarto chacra (amor incondicional); reconhecimento do próprio corpo e libido; aceitação do prazer; consciência da vibração orgástica no corpo. Essas são ferramentas comuns para homens e mulheres. Uma consequência é o efetivo auxílio no tratamento de dinsfunções sexuais: anorgasmia, vaginismo, baixa libido, ejaculação precoce e disfunção erétil.
 

É muito comum, depois de uma experiência sexual tântrica, perceber que algo mudou intimamente. Padrões de sofrimento emergem das camadas inconscientes, é possível refazer a forma a partir de uma experiência positiva em relação ao prazer e a alegria da sexualidade.
 
No rítmico, quente e úmido pulsar corporal reside um mistério sagrado. Mergulhar no corpo é viver o Tantra.
 
Amor e Luz!

Luara Tanuri




segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sex Shop: vamos melhorar isso?

 

Depois de anos trabalhando diretamente com a sexualidade das pessoas, posso dizer que adquiri certa experiência específica nessa área. Somando a prática com a busca de novas teorias, exercícios, aparelhos e novidades para o "desenvolvimento sexual", cheguei a uma dura conclusão: vivemos em um mundo de analfabetos sexuais! É inacreditável que nem @s ginecologistas saibam nos dizer (oficialmente) algo em relação à ereção do clitóris interno, à ejaculação feminina ou ao parto orgástico. Muit@s dizem que "essas coisas" são mitos. Na boa, estão precisando conhecer umas clientes que eu atendo para ver o mito vivo...

Terrível constatar que nem nas "lojas do prazer" eu posso encontrar pessoas informadas sobre assuntos pertinentes em relação à real sexualidade humana; parece que tudo gira em torno de fantasias. Na Sex Shop eu consigo finalmente um espaço livre de preconceitos e cheio de alternativas para me conhecer melhor sexualmente, certo? Errado! Até agora não conheci uma, nem uma, loja dessas que pudesse contribuir de forma contundente para o desenvolvimento da sexualidade humana, principalmente feminina.



Fui comprar um vibrador bullet em uma loja perto da minha sala de atendimentos em Brasília. Quando fiz perguntas mais específicas, a atendente ficou surpresa com meu conhecimento e não sabia me responder. Apresentei-me como terapeuta tântrica e, para minha surpresa, os olhares foram de reprovação total! Isso mesmo! Discriminação e preconceito em uma Sex Shop. Como se não bastasse a total ignorância sobre questões básicas da sexualidade feminina, como a estrutura do clitóris.

Decidi procurar a mais luxuosa loja em Brasília. Preciso dizer qual é? Na Asa Sul, uma loja que tem Luxo até no nome. Gostei de perceber que o público alvo é feminino e não tem materiais pornográficos à venda (pelo menos eu não vi, será que não olhei bem?). Mas as vendedoras são absolutamente despreparadas para lidar com a questão da sexualidade feminina.
Para testar, pergunto: "Como uso esse vibrador?". A resposta é simples: "Coloque no clitóris". Eu, falsa: "Querida, mas onde é mesmo que fica o clitóris, hein? Como uso isso, me explica melhor...". Ela gagueja, ri, fica rubra e chama a gerente.
Sinceramente, eu tive de sair dali para gargalhar. Não esperei pela gerente que me pareceu muito mais preocupada em lidar com a papelada que, naquele momento, manuseava.
Eu me pergunto de que adianta uma loja luxuosa e bons produtos, se quem vende não sabe como usar.

Será que eu deveria diversificar minha atividade profissional? Acho que venderia esses vibradores para qualquer mulher que entrasse naquela loja. Constatei que a grife Lelo possui produtos elegantes e de qualidade. A potência não é excelente, mas isto tem importância relativa, pois somente mulheres experientes e com musculaturas genital e pubiana desenvolvidas tem necessidade de equipamentos e aparelhos mais potentes.

Percebendo a total inabilidade desses estabelecimentos em atender suas clientes, eu resolvi que vou auxiliar minhas irmãs usando meus conhecimentos e experiência. Vou abrir um horário na semana para um atendimento em grupo. Somente com mulheres, para falar sobre sexualidade feminina. Como só falar não é muito minha cara, vamos fazer umas práticas também. Minha intenção é explicar como funciona a genital feminina, como se tocar e usar os vibradores. Vamos tratar também sobre questões da sexualidade no relacionamento.


Os atendimentos vão ter duração de duas horas e vagas para quatro mulheres. Os valores são modestos em relação aos atendimentos individuais. Mulheres interessadas, entrem em contato por email ou telefone. Ainda não defini datas, mas pretendo começar agora mesmo, neste mês do fim do mundo. Já que tudo vai acabar, vamos aprender a gozar? Para isso, você não precisa se vestir de colegial nem dominadora. Meias, saltos, vestidos e maquiagem podem ser interessantes, mas não ajudam na descoberta de seu corpo e sensibilidade. Venha aprender sobre sua sexualidade e depois vá à Sex Shop sabendo o que vai comprar.

Amor, luz e prazerrrrr



Luara Tanuri

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O espaço de Terapia Tântrica em Brasília


minha bandeja mágica
 
 
Peço desculpas por esse longo período sem posts. Mas eu tenho um bom motivo: estava montando minha nova sala de atendimentos.
 


tatame para meditação ativa
Durante todo esse tempo que trabalho e moro em Brasília, eu recebi clientes em minha casa. Depois de dois anos de sucesso nessa cidade que eu amo, senti confiança para investir em um espaço reservado exclusivamente aos atendimentos. Com muita gratidão e alegria, convido as pessoas interessadas em conhecer meu trabalho a prestigiar o novo espaço terapêutico. A sala fica em um edifício comercial na Asa Norte e possui estacionamento dentro do condomínio. O local, além de discreto, é de fácil acesso.
 


Sinto-me grata e honrada por estar aqui e agora, nessa cidade linda, que recebe nesse momento as primeiras chuvas, deixando tudo verdinho e com um cheiro delicioso de terra molhada. Agora, em meu novo espaço, é ainda mais maravilhoso, para mim, trabalhar com a energia vital de mulheres e homens que me procuram. Percebo que estou cada vez mais conectada com a poderosa egrégora do Tantra.
 
Tantra é uma doutrina ampla que trata de várias questões da vida e da morte, inclusive da sexualidade. O que chama atenção no Tantra, no que se refere ao sexo, é a visão sui generis que essa doutrina milenar tem da sexualidade. Para o Tantra, o corpo não é antagônico ao espírito, pelo contrário: são um só. A sexualidade é pura criatividade e amor divino, todo ato sexual é sagrado para o Tantra. E tem mais: a sexualidade tântrica é uma via de acesso possível para a libertação da ilusão, uma forma de se encontrar com nossa essência espiritual. É justamente por isso que a visão tântrica do sexo me interessa tanto. Meu trabalho com o Tantra é voltado ao desenvolvimento humano através do despertar da kundalini, que é a energia sexual, a própria fonte da vida e da criatividade.
 

o cantinho da conversa
 

Laranja é a cor do segundo chacra, que é o centro sexual. Por isso, essa foi a cor escolhida como principal tema em meu espaço. Mais fotos aqui.
 
Venham conhecer!
 
Amor e Luz!


Luara Tanuri






domingo, 29 de julho de 2012

Sexo Tântrico ou Maithuna


O que é sexo tântrico? Todos podem praticar? Como começar e por que investir nessa "viagem"?

Sexo tântrico é a relação sexual entre seres que possuem alguma consciência de sua existência como "algo além do corpo". Com o foco no polo indivíduo (da cintura para cima), é o sexo que é feito de corpo e alma literalmente. Todos podem praticar, desde que tenham corpo e alma. Para começar é preciso querer, porque dá trabalho. Investir nessa viagem vale a pena para quem não se contenta com o que nos foi vendido como sendo sexualidade humana. Para quem quer mais da relação íntima com o semelhante, investir vale a pena só para quem quer mais, aquel@s que estão plenamente satisfeit@s com sua vida sexual não precisam investir na busca, afinal, se tudo está ótimo, continue assim.

Mas......

Se você acha que existe uma possibilidade da sexualidade ser uma forma de expressar a amorosidade e o respeito à vida, se você imagina que através do contato sexual é possível viver um êxtase que está além do simples prazer, essa busca é para você!

O primeiro passo são as preliminares e eu não me refiro às carícias ou ao "repertório básico" para que o casal fique suficientemente excitado para a penetração. Preliminar é aquilo que se faz antes da prática sexual, é a preparação e deve ser feita individualmente. Desenvolvendo as ferramentas e afinando o instrumento. Ferramentas? Retenção seminal, sensualidade, sensibilidade na pele, consciência corporal, força física, percepção orgástica. Instrumento afinado? Limpeza (corpo físico, emocional e mental), abertura do quarto chakra, entrega, busca espiritual e consciência da divindade oculta n@ parceir@. Esses são objetivos, é claro que vamos continuar a praticar sexo antes que todos esses objetivos tenham sido alcançados com pleno êxito. A sexualidade tântrica pode ser vivenciada desde que @s parceir@s queiram, mesmo antes de ter o instrumento afinado e as ferramentas desenvolvidas perfeitamente.

Vamos começar? Antes de tudo a sensualidade e o erotismo. O olhar cheio de intenção, a sedução, o gesto, a promessa não verbalizada. Depois a aproximação lenta, lenta e lenta. Podem tomar um banho junt@s desde que seja bem demorado, muita espuma, toque macio e carinhoso, nehuma pressa ou malícia. Tudo é uma bricadeira, deve ser divertido, portanto risadas são sempre bem vindas, assim como palavras doces e amorosas.



A primeira e principal troca é no polo indivíduo, ou seja, da cintura pra cima. Olho no olho, troca de alento, troca de saliva, peito colado, respiração sincronizada. Até que aconteça a penetração é uma novela, mas depois que acontece o ideal é que as genitais permaneçam unidas por um longo tempo. Mas essa novela é mais deliciosa que qualquer produção televisiva ou qualquer sonho de dramaturgia. Depois de muitas carícias no corpo (todo!) o casal começa um jogo para a penetração. Primeiro só a glande entra na vagina ou ânus, fica alguns segundos alí dentro sem movimento, só sentindo.

Retira-se o pênis para apoiá-lo no prepúcio do clitóris ou no pênis do parceiro, no caso de uma relação entre homens. No caso de uma relação entre mulheres, indico que a penetração seja feita com o dedo indicador e o procedimento é o mesmo, primeiro só uma falange entra apontando para cima (gancho) e permanece por alguns segundos. Esse jogo se estende por alguns minutos. A penetração é um pouco mais profunda a cada oportunidade. Sempre lentamente na entrada e na saída, para depois apoiar no corpo do clitóris e lá permanecer por algum tempo. Mesmo com o contato genital o foco continua no polo indivíduo o tempo todo, respiração, olhar, alento, saliva e coração.



Depois de um tempo nesse jogo o casal atinge uma penetração profunda, nesse momento os corpos devem estar relaxados e sem movimento algum. É permitida uma "linguagem secreta" entre o casal, ou seja, contrações do perínio que fazem o pênis se mover para cima e para baixo e contrações da musculatura vaginal (ou esfíncter anal) que apertam e sugam o pênis. Mas por um tempo o ideal é que não existam movimentos pélvicos. Além da linguagem secreta, qualquer movimento deve ser involuntário apenas, vibração por exemplo, aquela que acontece naturalmente com a subida da energia sexual pelos chakras. Quando o casal sente que existe um relaxamento e tranquilidade a Shakti inicia um movimento com os quadris que deve ser desposado pelo Shiva. Quem dá o tom e o rítmo é sempre a Shakti (princípio feminino), mesmo em uma relação homossexual, aquel@ que estiver no papel receptivo faz o papel da Shakti. Os movimentos pélvicos são circulares e sem perder o contato, a penetração é profunda, os corpos não se descolam, as púbis permanecem unidas. Deve-se evitar amplitude de movimentos para penetração, na maior parte do tempo a movimentação é circular e não de vai e vem. Já falei sobre foco lá em cima, né? Nunca é demais lembrar, olhar, beijo, respiração sincronizada, sorriso, cumplicidade....


Depois que a união está estabelecida é possível a variação de posturas, mas o ideal é que o casal tenha contato visual. Mesmo quando o Shiva está no comando dos movimentos, deve estar sempre atento para os sinais da Shakti e nunca impor seu rítmo, a magia e a sensualidade são femininas, se um dos parceiros se deixa levar pelo impulso agressivo do princípio masculino a experiência deixa de ser amorosa, deixa de ser tântrica. Sexo tântrico só é possível a partir do princípio feminino, mesmo quando entre dois homens, afinal todos nós temos em nós os dois princípios cósmicos.

Um fator importantíssimo na prática sexual tântrica são as pausas. Permanecendo na união o casal cessa a movimentação e descansa. Ainda com os corpos colados e genitais unidas com penetração se possível, percebendo a respiração e se acalmando para recomeçar os movimentos depois de alguns minutos. O orgasmo não é um objetivo, mas a observação de si mesm@ na experiência orgástica, sensual, erótica e amorosa. Todas as sensações são experimentadas a partir da consciência e o objetivo é a união máxima com o outro e assim a união com o todo, com a teia, Tantra é a trama universal onde tudo se imbrica.


O ideal é que não aconteça ejaculação, mas isso não é uma regra desde que a relação dure pelo menos duas horas. O sexo tântrico pode durar muitas horas, até um dia inteiro. A energia do Amor é tão poderosa que mesmo depois de alguns dias @s praticantes permanecem "brilhando". Ficamos chei@s de energia criativa, a pele mais bonita, bem humorad@s, é o êxtase que permanece reverberando por alguns dias depois da experiência. Monogamia também não é uma regra, entretanto é um caminho possível e provável. A partir de minha experiência pessoal, percebo quão difícil é encontrar uma parceria para a prática sexual tântrica. Isso acontece principalmente porque a maioria dos homens e mulheres não estão dispostos a encarar a sexualidade como algo realmente importante e sagrado, preferem ou estão acostumados a usar o sexo como um entretenimento (algo divertido para se fazer no domingo a tarde?) e isso na melhor das hipóteses. Encontrar uma pessoa que queira mais profundidade nas experiências e com quem se sintonize energeticamente é como ganhar na loteria! E então, talvez, a vontade de estar com ela seja maior que o simples desejo por outros corpos.

No sexo tântrico, ou maithuna, o objetivo é uma experiência espiritual através da união íntima com o semelhante. Para que isso aconteça o ingrediente principal é a reverência à divindade oculta no homem (Shiva) e na mulher (Shakti). Percebendo que além de um ser humano que você conhece como sendo @ Fulan@ de tal com suas idiossincrasias, existe alí, diante de você e dispost@ a se unir a você, um@ representante da divindade do princípio universal masculino ou feminino. Em essência o encontro é com o Shiva ou com a Shakti.

Amor e Luz!

Luara Tanuri






segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tantra, sincronia, missão e encontros



Lembro-me exatamente do dia em que eu tive certeza que iria trabalhar com Tantra. Eu era cliente da massagem tântrica yoni. Tinha feito os cursos porque estava muito empolgada com esse universo de prazer, alegria e amorosidade, mas ainda não me via como profissional da área. E então um encontro cheio de sincronias me tocou, não pude mais negligenciar o chamado para o trabalho com o sexo e a espiritualidade.

Eu frequentava, nessa época, um (famosinho) centro de massagem tântrica na Vl. Madalena em São Paulo. Tudo eram flores e eu, ainda, não havia identificado a atmosfera competitiva daquele grupo. Simpatizava, particularmente, com as três terapeutas mais experientes do lugar, elas estavam sempre juntas, lindas, perfumadas e brilhantes. Eu queria tanto fazer parte daquela turma, percebia nelas a energia das bruxas, magas e sacerdotizas. Por algum motivo sentia que eu também estava naquela sintonia, mas não sabia o que deveria fazer para ser aceita no grupo ou como conseguir com elas uma relação mais próxima.

Mas quando tem que acontecer...

Andava meio desanimada por me sentir perdida em meus desejos por uma mudança que eu sabia necessária. Mesmo com companhia me sentia sempre sozinha e um pouco melancólica. Minha vida do jeito que estava não fazia mais sentido, meu trabalho era vazio de alma, as amizades sempre cheias de interesses outros. Depois que senti o Amor com o Tantra veio uma deprê ao me ver mais de perto, não estava satisfeita com quem eu era, precisava de uma mudança radical. Pensava em tudo isso enquanto fingia prestar atenção no papo do "amigo" que me acompanhava em um jantar num restaurante japonês. E então, entram elas, as bruxas caminham em direção ao mesmo balcão em que eu estava, com suas risadinhas típicas e movimentando a energia do lugar. Nesse momento, o cidadão que me acompanhava soltou qualquer comentário machista em relação àquelas mulheres que "querem chamar a atenção" e eu tive mais certeza ainda que precisava reciclar amizades. Depois de rir muito e sem responder ao preconceituoso comentário, emocionada fui ao encontro delas. Recebida com exclamações e mais risadinhas, as três me olhavam profundamente como se soubessem o que estava acontecendo naquele momento. Eu tinha acabado de encontrar um caminho para minha nova vida. Uma semana depois já estava trabalhando.

Percebi que estava alinhada com uma missão porque tudo aconteceu rápido e com uma facilidade milagrosa. Sabe quando a gente tem certeza que tem que fazer algo? Para mim, o trabalho com a sexualidade é assim: a coisa mais importante da minha vida.

Depois de quase um ano e meio trabalhando no centro, percebi que minha paixão inicial era em função de um processo muito individual, ou seja, eu estava em busca de uma mudança. Mas, talvez, essa busca fosse mais solitária do que eu gostaria de admitir.

Tudo aquilo que eu estudava em livros e vivenciava na prática, em relação ao Tantra e à sexualidade sagrada, era diferente
daquilo que dizia a liderança do centro sobre o assunto. A orientação exclusivamente comercial era clara! O constante assédio moral praticado pelo "patrão" tornava-se insuportável. Iniciei meu trabalho independente (amo essa palavra!) em fevereiro de 2011. Preferi a liberdade de um trabalho tântrico em que o poder do feminino (Shakti) é respeitado. Finalmente, deixei a realidade kafkiana daquele grupo e aceitei o desafio de uma verdadeira metamorfose; para o resgate do sagrado feminino, pela cura da humanidade através do amor. Iniciei, então, uma busca por outros processos iniciáticos. Meu trabalho mudou bastante a partir dessa decisão.

Mais tarde, as três magas também deixaram aquele grupo e iniciaram seus trabalhos independentes.

Jamais esquecerei minhas primeiras experiências na teia viva que é o Tantra. Sou grata pelas bençãos que a Existência me proporciona, que venham mais e mais sincronias e encontros!


Amor e Luz!

Luara Tanuri


domingo, 24 de junho de 2012

Adoração ao Lingam


A adoração ao lingam faz parte do trabalho com a terapia tântrica e é uma forma de reverência ao corpo sagrado de Shiva. Na simbologia tântrica Shiva representa o princípio cósmico masculino. Através da união entre os dois princípios opostos, masculino (Shiva) e feminino (Shakti), o universo é criado e recriado, portando essa união é realmente importante. Sendo responsável pela criação, a sexualidade é sagrada para o Tantra. No ritual tântrico de adoração ao lingam acontece um culto ao corpo masculino e principalmente a dois dos mais importantes símbolos da masculinidade, o pênis (lingam) e a ereção.

Shiva e Shakti

Todos nós, homens e mulheres, temos em nós os dois princípios opostos, entretanto são as fêmeas as representantes da Shakti no plano físico e os machos representam Shiva. É perfeitamente possível prestar uma adoração ao Shiva oculto em uma mulher, por exemplo, mas é certamente mais evidente a presença da Shakti nessa mulher, esteja ela enquadrada no padrão vigente de feminilidade ou não. Da mesma forma acontece com o homem, que tem o Shiva mais evidente. Isso nada tem a ver com orientação sexual, é uma questão de polaridade energética.



Nesse ritual o símbolo do princípio masculino é adorado e esse é o principal objetivo do trabalho, ou seja, um culto ao Shiva. O corpo todo é tocado com atenção, amorosidade e respeito. O toque é leve, sutil e sábio. O objetivo é despertar a consciência orgástica da pele e a sensibilidade as áreas erógenas. O toque também pretende proporcionar um ambiente acolhedor para que o homem sinta a amorosidade que vem do calor das mãos que curam.


Príapo, deus grego da fertilidade

Depois do trabalho no corpo todo, são realizadas manobras específicas no lingam e em toda a área genital, bolsa escrotal, perínio, ânus e virilhas. O foco principal é no pênis (lingam) com manobras de torção e alongamento, além de reflexologia da glande. Um dos objetivos é manter a ereção o maior tempo possível sem ejaculação e dessa forma proporcionar ao homem uma experiência orgástica sem a perda energética que vem com a liberação do sêmen.

A retenção seminal é uma poderosa ferramenta tântrica para a longevidade e para ereções cada vez mais firmes e prolongadas. Ereção é um símbolo da firmeza e da capacidade de sustentar a estrutura do campo energético, valores do princípio masculino reverenciados no ritual de adoração ao lingam.

Na terapia tântrica um dos objetivos é conduzir a pessoa ao extremo prazer e ao êxtase espiritual através da química existente no corpo, que longe de ser antagônico à alma, é parte do Absoluto e pode ser uma porta para a experiência suprema. Tomando consciência do corpo e de sua expressão criativa através da sexualidade é possível acessar o campo das potencialidades, onde até a felicidade é possível...

Amor e Luz!

Luara Tanuri

terça-feira, 12 de junho de 2012

Sobre minha busca e as pausas para descansar


Se foi através da sexualidade que viemos de "algum lugar" para esse tempo/espaço, não seria ela, a energia sexual, uma porta para outros mundos?

Uma energia tão poderosa pode também ser perigosa, afinal, poder nas mãos de seres ignorantes é perigo potencial. Mas por que não buscar sair da ignorância para acessar o poder ao invés de condenar essa força por temê-la? É isso o que nossa sociedade faz a séculos (milênios?), condenamos ou ridicularizamos a sexualidade. A verdade é que estamos diante de algo tão poderoso e grandioso que temos medo do que pode acontecer com nosso universo conhecido e seguro se ousarmos ir adiante. Para alguns, talvez seja melhor continuar na zona de conforto e deixar o sexo "no lugar dele", ou seja, lá em baixo. Naquilo que é baixaria, ligado ao que é primitivo e não essencialmente humano ou divino.

Mas depois que se engata a primeira fica difícil não querer mais...

Depois de sentir que sua pele toda é um órgão sensual e de perceber, além da união física, o contato amoroso através do cardíaco, torna-se entediante a prática do sexo comum, aquele para relaxar antes de dormir. Existe quem não queira perder esse sonífero conveniente ou o passatempo para as tardes entediantes de domingo. Existe também, felizmente, quem se questione e chegue a conclusão de que o sexo pode ser mais do que isso. Aí vem a pergunta: como chego lá? Esse é um bom começo, buscar é a chave. Sem busca vamos continuar na mesma chatice do sexo para dar uma gozada e relaxar, do programa televisivo depois ou a soneca. Quantas alternativas que encontramos para fugir da busca, porque buscar dá trabalho. Mas buscar é da nossa natureza, todos queremos crescer e evoluir, entretanto com qual facilidade nos distraímos no meio do caminho e nos sentamos para descansar? O pior é que não ganhamos nada com esse descanso, só perdemos energia, tempo, vida e oportunidade de mudar o que precisa ser mudado e melhorado.

Mesmo depois de experimentar momentos de êxtase espiritual com a kundalini, eu as vezes sento pra descansar e me esqueço de permanecer alerta. Um problema possível em se vivenciar uma experiência intensa é a ilusão de que "agora eu sei", a gente fica confiante e acha que superou o velho padrão, sai do alerta. No meu caso, estou falando do amor romântico, que foi minha cadeira nos últimos tempos. Mas nunca é tarde para perceber que ainda existe um caminho de busca a ser percorrido. Quando se experimenta o verdadeiro Amor divino, o amor romântico fica meio chato, falso, é uma imitação mal feita do que realmente buscamos. O pior é que alguns se contentam com essa forma e reclamam, sofrem. Quando percebemos que não somos do outro, que o outro não nos pertence e que isso não tem como mudar, sofremos. Daí um culpa o outro, é claro. E o sexo no amor romântico nem sempre é dos melhores, porque se ele/a é meu/minha, então serve ao meu desejo egóico por prazer físico e isso é mais um entretenimento para o ego que uma troca amorosa. Comparado à experiência tântrica esse sexo é profano.

É inacreditável como nós, mulheres, nos submetemos facilmente à essas vivências sexuais que mais se assemelham a um tipo de violência. No meu caso, não tem mais desculpa! Chega! Esse sexo sem consciência e sem reverência é um insulto à minha yoni e uma afronta à Deusa em mim. Conhecimento traz resposabilidade, fazer o quê? Sabendo disso não posso mais permitir o insulto à Shakti.

Percebi que a ilusão romântica me afasta da experiência sexual tântrica e aí chego a dura (por enquanto) conclusão de que, ao menos para mim, essa ilusão não serve mais. Não é uma questão de princípios ou moral, mas é onde minha busca me levou e esse é um caminho sem volta, embora parte de mim ainda queira o príncipe encantado...



Amor e Luz


Luara Tanuri

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Menstruação, sangue sagrado no lixo e o sofrimento feminino




Hoje é a segunda vermelha (coincidentemente também é meu aniversário), dia de se falar sobre menstruação. Fiquei sabendo dessa onda no Facebook e achei ótimo. Ainda não tinha escrito nada no blog sobre esse tema essencialmente feminino. No domingo pensava sobre o conteúdo desse texto. Cogitei a possibilidade de falar sobre o sexo no período menstrual, mas senti que não era isso que vinha em meu coração nesse momento. Sangue sagrado, aceitação e vivência plena desse período, questionamento sobre o que nos é imposto pelo patriarcado em relação à nossa menstruação são temas que me interessam mais agora. Até porque, sem autoconhecimento não é possível olhar para a sexualidade. Se a mulher não vive plenamente seu sangramento mensal, como pode querer que a parceria sexual seja satisfatória durante a menstruação? Essa aceitação deve partir dela.

Quando meninas, somos ensinadas que em breve teremos que lidar com o "incômodo" mensal. "Todos os meses você vai sangrar, isso significa que você pode engravidar, tome cuidado mantendo as pernas fechadas, provavelmente terá cólicas e deve se preocupar para não sujar onde senta". O livro sagrado do "cristianismo" trata a menstruação como a imundície da mulher. É duro crescer ouvindo essas besteiras...

A mídia só faz reafirmar todas as crenças negativas em relação à menstruação. Comprando a melhor marca de absorvente você poderá usar calça justa e branca e será para sempre livre. Liberdade para que sua bunda esteja bem exposta ao olhar da avaliação masculina na próxima esquina? Tudo é vendido para que ninguém perceba que a mulher está menstruada, afinal de contas, ela deveria se envergonhar de...de quê mesmo? Ah, de ser mulher, é claro!

Nada ou quase nada é dito na mídia sobre o quanto os absorventes são prejudiciais para o planeta, pois são poluentes, não existe nenhuma marca biodegradável. Além disso, os tampões absorvem a umidade natural na vagina e isso causa infecções e consequentemente abala a imunidade. Os absorventes externos cultivam uma colônia de bactérias porque o sangue entra em contato com o ar e fica pertinho da pele por algum tempo, abafando a vulva, criando um ambiente maravilhoso para a proliferação de bactérias e fungos.

A mulher não entra em contato com seu sangue, tudo que ela vê é uma mancha mal cheirosa na fraldinha. Tudo bastante oportuno para se manter a crença de que o sangue menstrual é sujo, de que a mulher é inferior, sangra todo mês e suja tudo, tem dores, tpm. Mas não se preocupe, é claro que a indústria farmacêutica também tem a "solução" para isso.

Eu tinha muitas dores na menstruação, uma tpm terrível, com deprê e irritabilidade. Faz relativamente pouco tempo que entrei em contato com o paradigma do sangue sagrado e tudo mudou para mim. As antigas entendiam o período menstrual como um momento em que a mulher entra em contato direto com a Mãe. Ela verte seu sangue sagrado na Terra e a fertiliza. O sangue é parte de quem somos, não deve ser jogado no lixo. É por isso que as mulheres sofrem com cólicas e tpm, negam o Sagrado Feminino, mal dizem seu sangue e o descartam como algo imundo. O sangue deve ser reverenciado, abençoado, bem dito e utilizado para nutrir Gaia. Comecei a usar o coletor menstrual para verter meu sangue na Terra, passei a abençoar esse momento agradecendo por essa oportunidade, mesmo enquanto sentia dores. As cólicas diminuíram significativamente, a tpm melhorou. Comecei a fazer aulas de pilates e isso também ajudou bastante, pois o pilates trabalha o fortalecimento e consciência da área pélvica. Agora não uso mais drogas para cólica menstrual, nem para tmp. O feminino é sagrado, o sangue é sagrado, não há dor nem desconforto em ser mulher.

Coletor menstrual é um copinho de silicone que é introduzido na vagina, forma vácuo e coleta o sangue. É ecológico e econômico. Dura 10 anos, lavável e ainda possibilita à mulher ver seu sangue, perceber que o cheiro não é ruim (cheiro de sangue), conhecer seu corpo e entrar em contato com sua genital.

A manipulação do coletor exige alguma intimidade com a genital feminina, que bom, porque está mais que na hora das mulheres fazerem as pazes com suas yonis! Além de tudo isso, com o coletor, é possível usar o sangue em um ritual poderoso de nutrição da Terra, o sangue menstrual é oxigenado e nutritivo.

Eu uso o Mooncup, mas existem outros fabricantes. Meluna , Misscup e Lunette.

Amor e Luz


Luara Tanuri




domingo, 29 de abril de 2012

Ejaculação Precoce? Terapia Tântrica!



Os homens buscam meu trabalho basicamente por dois motivos, curiosidade ou para tratar alguma disfunção sexual. As vezes dizem que é só por curiosidade que vieram até mim, mas acabam confessando ou descobrindo que seria interessante conseguir manter a ereção mais tempo. Quando a busca é pelo tratamento de algo que eles consideram um problema, geralmente é baixa libido ou ejaculação precoce. O fato é que as duas coisas estão ligadas, se o homem ejacula rápido demais e muitas vezes durante a vida, uma hora ou outra, vai sofrer com a baixa libido e dificuldade para ter e manter a ereção. Isso porque sêmen é energia vital e quem perde energia demais, sem ter acumulado, fica sem. A conta é simples.

Mas o que é ejaculação precoce? Já vi médicos dizerem que depois de três minutos de penetração não é mais ejaculação precoce. Acho que esses médicos não gostam muito de sexo, porque, fala sério, três minutos? É claro que pode existir sexo sem penetração e é ótimo, mas esse é um outro assunto. Sobre a ejaculação, é precoce se a Shakti não está satisfeita e é precoce se acontece sem que o homem escolha. Esse negócio de quantos minutos é muito relativo, mas bom seria se o homem pudesse ejacular somente quando e se ele quisesse. Melhor ainda se ele escolhesse reter o sêmen as vezes, ou seja, transar e não ejacular, se masturbar e não ejacular.

Retenção seminal. Assunto importante, assim como o controle vaginal para as meninas, deveria ser ensinado desde cedo, caso existisse realmente educação sexual nas escolas. É através da retenção seminal com estímulo que o homem pode conseguir a cura dessas duas disfunções. Isso é milenar, existem técnicas específicas para aprender a ficar com a energia. Em O orgasmo múltiplo do homem, Mantak Chia descreve várias técnicas taoístas para o trabalho com a energia sexual e a retenção do sêmen.

Mas o que será da industria da doença se as pessoas forem mais saudáveis, felizes e se curarem sem drogas? Existem "estudos" que afirmam que o homem deve ejacular muitas vezes na semana para evitar câncer de próstata. Isso é muito estranho e contradiz tudo o que o Taoísmo e o Tantra ensinam sobre o trabalho com a energia sexual para o homem, sendo assim, eu penso que existem outros interesses aí. Se o homem lança fora sua energia vital fatalmente vai querer, mais tarde, drogas para ter ereção. A quem isso interessa?

A libido é a força para a criação, sêmen é vida em potencial, é a energia masculina para fertilizar e assim garantir a perpetuação da espécie. Lançando essa força no ralo, o homem fica mais fraco em todos os sentidos e depois de alguns anos a libido começa a ficar mais baixa e a ereção menos firme.

Retendo o sêmen o homem aprende a lidar com a força dele. Mantendo sua energia ele pode realizar muito mais, tem mais saúde inclusive. E conforme vai praticando ele aprende a brincar com o fio da navalha. O quase ejacular é muito prazeroso, ao jogar com esse limite é possível sentir os espasmos orgásticos sem ejacular. E mantendo o sêmen consigo ele pode ter vários orgasmos, como nós, mulheres.

Na terapia tântrica que inclui adorção ao lingam o objetivo não é a ejaculação, muito pelo contrário. Manter a ereção e a energia orgástica, sem ejacular, o maior tempo possível é uma ferramenta para a união sexual tântrica. Essa ferramenta é trabalhada na terapia tântrica com adoração ao lingam, por isso ajuda nos casos de ejaculação precoce, treina o homem a reter o sêmen no prazer, com estímulo.

Chega de drogas para ter ereção e drogas para controlar a ejaculação, que tal assumir a responsabilidade por sua energia vital, homem? A força é sua, tome posse do seu poder!

Amor e Luz


Luara Tanuri

sábado, 21 de abril de 2012

Brasília, essa mulher tântrica


No aniversário de 52 anos de Brasília eu resolvi acordar mais cedo para ver o sol nascer. Nesse céu mágico todas as cores são possíveis. Nessa cidade diferente, as vezes, sinto que viver é sonhar acordada. E esse sonho tem se tornado cada vez mais colorido para mim.

Muitas pessoas me perguntam por que vim morar aqui, na verdade não sei responder usando a razão, esse foi um processo intuitivo. Brasília é a cidade do meu trabalho. Para a prosperidade material e para o crescimento pessoal. Nunca tinha trabalhado tanto em tão pouco tempo, nos dois sentidos. Desconfio que foi para isso quem vim para cá.

Quando volto para Sampa ou para o Rio é bacana rever os amigos, família e clientes, mas minha empolgação dura exatos 4 dias. No quinto dia começa a saudade de Brasília e a partir daí tenho que voltar ou o mau humor toma conta. Será que é pelo céu sempre maravilhoso? Ou por acordar ao som dos passarinhos todas as manhãs? Amo também os espaços amplos e o silêncio. Ontem cedo vi uma arara voando pertinho de casa, para mim isso é um espetáculo, talvez seja normal para quem mora aqui há muito tempo, mas para mim é quase uma aventura! Será que um dia vou me acostumar com isso? Ainda não aconteceu, sempre que dou uma voltinha na cidade me surpreendo com alguma imagem deslumbrante ou "selvagem".

Para uma paulistana, a ideia de ir em um parque, dentro da cidade, onde vejo tucanos livres e macacos que tentam roubar minha comida enquanto eu nado em piscinas de água mineral corrente é algo inimaginável. Para mim essa é uma experiência tântrica. O calor acolhedor do sol, a visão da beleza desse azul profundo do céu brasiliense, o som dos pássaros, as árvores abundantes e as águas nas quais mergulho a alma. O contato diário com a Mãe me ajuda a lembrar de onde vim. Isso também é Tantra.

Gratidão, Brasília!

Amor e Luz


Luara Tanuri

segunda-feira, 26 de março de 2012

Tantra e Prostituição




Lilith

 
 
"O homem não reconheceu como sua a felicidade de ter corpo e sexo, espírito e alma unidos numa só entidade. Lilith, corpo e alma, foi julgada "fonte de toda injustiça" e mensageira do ilícito."
 
-Lilith - A lua negra-
Roberto Sicuteri
 


Para quem interessa manter o discurso demagogo e hipócrita sobre a prostituição?

Qual a diferença entre terapia tântrica com adoração ao lingam e à yoni e programa sexual pago?

Mas, afinal de contas, o que caracteriza prostituição?


Não sou advogada e embora tenha vários/as clientes que são, quase ninguém soube ou quis me explicar bem o que exatamente caracteriza prostituição pela lei. Talvez eu não devesse tratar desse espinhoso tema aqui, mas em meu outro blog, Aquilo que eu não deveria escrever. Resolvi arriscar...



Pomba Gira
Se uma pessoa faz sexo com outra e cobra um pagamento, isso é prostituição? Sim, acho que isso é um fato que todos aceitam, certo? Bem, mas o que é sexo? Genital na genital? Boca na genital? Mão na genital? Xiiiiiiii, se for "mão na genital", então acho que eu e minhas amadas colegas terapeutas fazemos isso aí, esse trabalho que é tão hipocritamente condenado pela sociedade da qual, não por acaso, faço parte.

Quando sigo essa linha de raciocínio, amigos e amigas tentam me "salvar" dizendo que é diferente, afinal o meu é um trabalho terapêutico, como um/a médico/a que toca no corpo de seu/ua paciente. Tá, mas o/a médico/a não tem o objetivo de conduzir a pessoa para o extremo prazer sexual, com orgasmos múltiplos e estados alterados de consciência através da movimentação da energia sexual. Se você tiver um orgasmo no exame de toque ginecológico, não vai ser legal...

Há quem me elogie dizendo que gosta do meu trabalho, pois se sente acolhido/a, amado/a e além disso eu não sou (e agora geralmente vem uma careta seguida de uma pausa) "uma garota de programa". Eu gosto de cutucar perguntando: "qual a diferença exata entre nossos trabalhos? não será essa linha muito tênue? o meu, é um trabalho diferente daquilo que é oferecido no mercado da prostituição, mas será que eu sou muito boa no que faço ou a prostituição conhecida é que é muito ruim?"

Afrodite
O centro de massagem tântrica no qual eu e minhas amigas trabalhávamos (como é bom usar esse verbo no passado!) prega que esse é um trabalho que não tem conotação sexual. "Não tem conotação sexual", parece piada. Será essa uma estratégia para fugir da polícia? Afinal, prostituição não é crime no Brasil, mas exploração é. O proxenetismo é crime. Dizer que lingam e yoni massagem são trabalhos sem conotação sexual livra os exploradores de irem em cana? Talvez sim, ou talvez o que faça a diferença nesse caso seja a propina mesmo, vai saber...


A terapia tântrica lingam/yoni é um trabalho que lida diretamente com a sexualidade, existem manobras específicas na área genital masculina ou feminina com o objetivo de conduzir a pessoa para estados alterados de consciência através do extremo prazer sexual. É terapia sim, já vi muita gente chorar durante o prazer, se lembrar de traumas, cenas esquecidas, entrar em extase e quase sempre as pessoas mudam algo em suas vidas com esse trabalho. É uma terapia sexual e não é menos terapêutica que outros trabalhos com o corpo. Até quando o sexo vai ficar na baixaria? Vamos trazê-lo para cima, para as altarias! É isso que pretendo, resgatar a qualidade sagrada da prática sexual.


Lilitu
Qual o real problema com o trabalho das prostitutas? Moral, cultural ou religioso? Condená-las será mais uma forma de condenar o feminino? Já faz muitos séculos que a Deusa virou p*ta. Muito antigamente, era sacerdotisa, vivia no templo, respeitada e reverenciada. Não existia a figura do proxeneta, sua sexualidade não era condenada, muito pelo contrário: o poder sexual feminimo era adorado. Mas isso já faz tempo, o patriarcado inventou o explorador, fez das deusas "mulheres de vida fácil" que vendem o que não tem preço para sustentar seus vícios, afinal, sexo só pode ser sujo e inconsciente. Alguém que lida com isso só pode ser doida e/ou pervertida.



Engraçado é que a demanda só faz aumentar....
Pornografia é mato, a mídia em geral explora o corpo feminino e sua nudez sempre com vulgaridade e tantas "mulheres de respeito" brincam de serem p*tas na cama e damas na sociedade.

Esse é um convite à reflexão.

Amor e Luz


Luara Tanuri